Ao despertar pela manhã um menino tomado pela ausência de emoção encontrou em sua vaga mente um motivo para abrir os olhos. As certezas mutáveis de uma existência frágil e dependente eram atordoantes para uma cabeça tão pequena. O que motivava a permanência eram as ordens recebidas. Na mesma hora em que aqueles olhos se abriam outro par, não se sabe ao certo quão distante daquele quarto ainda escuro, se fechava. A busca incessante pelo prazer amargo de estar junto de uma máquina capaz de proporcionar êxtase em forma de números deixava aquele par de olhos cansado. O encontro entre duas pessoas tão distantes seria catastrófico e utopicamente perfeito. Enquanto olhos prematuros se abriam a mais um dia, olhos cansados se fechavam em busca de um belo dia de sono.
Nenhum comentário:
Postar um comentário