quinta-feira, 21 de abril de 2011

Olhos


Ao despertar pela manhã um menino tomado pela ausência de emoção encontrou em sua vaga mente um motivo para abrir os olhos. As certezas mutáveis de uma existência frágil e dependente eram atordoantes para uma cabeça tão pequena. O que motivava a permanência eram as ordens recebidas. Na mesma hora em que aqueles olhos se abriam outro par, não se sabe ao certo quão distante daquele quarto ainda escuro, se fechava. A busca incessante pelo prazer amargo de estar junto de uma máquina capaz de proporcionar êxtase em forma de números deixava aquele par de olhos cansado. O encontro entre duas pessoas tão distantes seria catastrófico e utopicamente perfeito. Enquanto olhos prematuros se abriam a mais um dia, olhos cansados se fechavam em busca de um belo dia de sono.

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