segunda-feira, 18 de abril de 2011

Despertar


Hoje acordei sem saber se inventei tudo que sonhei ou se por alguma razão meus pensamentos em vão contaminaram minha vida. Acordei de olhos fechados, com o incômodo da luz se fazendo marcante e presente. Despertei de uma inconsciência doce e miserável num mundo mágico onde eu controlava tudo que acontecia – ou ao menos tentava. Voltei para onde o valor das lembranças é ínfimo e a intimidade é vergonhosa. Estou acordado, bem acordado, chamo meu nome, levanto-me, mas nada ouço. Peço socorro dentro da angústia angustiante do não coexistir pacificamente com o eu. Peço socorro, grito por ajuda, mas minha voz se cala antes de produzir sons. O que realmente importa agora é que acordei. Se estou pronto ou não para enfrentar aquilo que me dá medo é motivo para outra história. A pretensão, ou melhor, as pretensões de qualquer coisa não são meras ideias fundamentadas num abismo cerebral. Se há desejo, há busca, há vontade, há sentimento, há perda. Se há alguma coisa, sempre haverá seja lá o que for. O entendimento não precisa ser compreensível. O meu entendimento é que acabei de acordar. Não pronto pra viver, talvez tampouco para morrer. Acordei por acordar.

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