A saliva pinga das presas esfomeadas. Se aproxima sibilante do seu novo alvo. Tudo está confuso, tudo é apenas um estalo, uma dobra de tempo. A confiança toma conta de todo o corpo, a mente se concentra mais e mais. Os pés estão prontos para a largada, as unhas afiadas brilham no escuro. O ataque se aproxima, a morte está a espreita. É um segundo de euforia, um único toque dilacera a carne e o espírito. Um único toque. Basta apenas isso. Simples, fugaz, ardente e gélido ao mesmo tempo. Toda aquela vida construida com tanto esforço agora está despedaçada, morta, entregue às presas que não seguram o espendor e felicidade de finalmente ter seu banquete. Toda aquela saliva seca em instantes. Mas o sangue derramado manchará pra sempre aquele quarto escuro onde uma vida foi destruida...
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Cartas
Os papéis caem no chão aos pedaços, irreconhecíveis, imundos. Manchas de ódio e rancor se espalham por todo o terreno. O sangue amarelo escorre das células mortas, um feitiço que deu totalmente errado. O tempo durou mais do que tinha que durar, se estendeu e mortificou todas aquelas promessas. A existência dependente se tornou deficiente e decadente, quase inexistente. Tudo aquilo que se vê naquele chão aos pedaços são velhas marcas, conversas, revelações. Todas elas deixadas para trás talvez num impulso. Mas com certeza já não sangram mais.
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